Paisagem Urbana

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Enquanto aqui no Brasil estamos apenas começando a nos acostumar com as bicicletas no dia-a-dia das grandes cidades, nas metrópoles em que elas já são usadas como meio de transporte há tempo o objetivo é aumentar o número de pessoas que optam por se deslocar pedalando diariamente, e incluir os bicicletários de uma forma inteligente na paisagem urbana.

Em Copenhagen, a capital da Dinamarca, 37% usam a bike no cotidiano, e a expectativa é que esse número cresça para 50% até 2015. Para ajudar a tornar essa estatística uma realidade, o escritório suíço Rafaa Architecture & Design elaborou um projeto bastante inovador.

Chamado de Bike Share Sistem (ou Sistema de Compartilhamento de Bicicletas), o trabalho tem a preocupação de não poluir visualmente e nem sobrecarregar a cidade com muitas bicicletas, e vai além: propõe a integração com o mobiliário urbano e aposta em tecnologia. E isso inclui o design das próprias bicicletas e das estações, que é moderno, arrojado e inovador.

Para usar uma bicicleta, os autores do projeto propõem que se faça um registro via internet ou se insira um cartão de crédito ou débito num dispositivo que estará no guidão da própria bike. A ideia é que os primeiros 30 minutos sejam gratuitos. Depois disso, haveria uma taxa a ser cobrada, para que as pessoas não “prendam” as bicicletas e elas permaneçam em circulação.

As estações ficariam espalhadas por toda a cidade de Copenhaguen, e seria possível ver na internet quantas bicicletas estão disponíveis, e em quais estações, podendo até reservá-las com 30 minutos de antecedência. O projeto recebeu, em 2010, o prêmio RedDot Design, mas por enquanto, não existe nenhuma iniciativa para tirá-lo do papel.

Confira abaixo imagens de como seria o Bike Share Sistem nas ruas da capital dinamarquesa:

Tags: Bike Share Sistem, Rafaa Architecture & Design, RedDot Design, Sistema de Compartilhamento de Bicicletas

Cinco anos depois da entrada em vigor da Lei Cidade Limpa – que livrou a paisagem da capital paulista do uso abusivo de peças publicitárias -, a Prefeitura começa a estudar formas de disciplinar as novas intervenções urbanas para consolidar e ampliar essa conquista. O objetivo é garantir o direito dos paulistanos de aproveitar a paisagem formada por elementos tanto naturais como artificiais – vegetação, serras, monumentos, prédios históricos, etc. Reconhecida internacionalmente como uma eficiente forma de combate à poluição visual, a Lei Cidade Limpa é um exemplo de que determinação política e rigor na fiscalização são essenciais para resolver um problema como esse, que se arrastava e se agravava há décadas.

Foram muitas as tentativas de livrar a cidade dos milhares de outdoors, faixas, cartazes, backlights, frontlights, bonecos infláveis, cavaletes e outras peças de publicidade externa. A lei entrou em vigor com a promessa da Prefeitura de tolerância zero, o que provocou desconfiança de muitos sobre a sua real capacidade de fiscalização e de resistência aos grupos que sempre atuaram como donos da paisagem paulistana. O Executivo municipal, no entanto, além de firme, foi também hábil ao estabelecer etapas para o ordenamento da publicidade externa na capital: primeiro, limpou as ruas e prometeu que, em seguida, realizaria licitação para exploração publicitária do mobiliário urbano.

Em setembro, a Câmara Municipal aprovou lei que permite a exposição de anúncios em 43 mil pontos de São Paulo – totens das paradas de ônibus e plataformas de embarque e desembarque dos terminais e estações de transferência, além de mil relógios de rua. A concessão será pelo período de 30 anos e renderá ao Município R$ 2 bilhões.

Para assegurar o interesse dos grupos publicitários, é importante que a Prefeitura fiscalize e coíba rigorosamente a publicidade clandestina. Para isso, em fevereiro foi criado um grupo dedicado a reforçar a fiscalização em toda a cidade, por meio das 31 subprefeituras.

O resultado tem sido excelente: em dez meses, foram retiradas 574.361 propagandas irregulares das ruas, entre faixas, banners, cartazes e outras peças. O volume é três vezes maior do que o recolhido durante todo o ano passado e seis vezes maior do que o de 2009. Os fiscais aplicaram aproximadamente R$ 50 milhões em multas – em 2010 foram R$ 15,9 milhões.

Agora, a luta pela preservação da paisagem entra em nova fase. Em 2012 será criado um grupo para sugerir padrões de construção capazes de preservar paisagens de valor para a população. A discussão do tema já passou pela Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU).

Em entrevista ao Estado, a arquiteta Pérola Felipette Brocaneli, membro da CPPU, afirmou que a intenção é evitar a obstrução completa da paisagem, como ocorreu com a construção do Shopping Bourbon, na Pompeia, zona oeste da capital. O prédio impede que os moradores do local avistem o Pico do Jaraguá. A comissão também interferiu no licenciamento ambiental do monotrilho em construção na zona leste – a extensão da Linha 2-Verde do Metrô. As vigas que sustentam os trilhos suspensos mudam a paisagem. Por isso, exigiu-se do consórcio o aterramento da fiação elétrica ao redor da obra e a instalação de barreiras acústicas transparentes, além de um corredor verde sob os trilhos.

São Paulo segue, assim, a tendência mundial de proteção da paisagem urbana. Ela vai além dos aspectos culturais, ecológicos, ambientais e sociais, pois tem grande importância econômica para a metrópole – afeta o potencial turístico e o próprio mercado imobiliário. No início de novembro, a cidade recebeuem Nova Yorko Prêmio International Scenic Visionary Award, ocasião em que foi lançado o documentário This Space Available, baseado na experiência da Lei Cidade Limpa. O filme descreve a luta contra a poluição visual nos espaços públicos em todo o mundo.

Essa lei é um sucesso e deve servir de exemplo para cidades de todo o País.

Nota do Visual de Londrina: este editorial do jornal O Estado de São Paulo foi inserido por completo no blog para demonstrar que um projeto de despoluição visual, quando bem executado, só tende a resultar em sucesso. Este nosso blog “Visual de Londrina” foi pioneiro nas denúncias da poluição visual em Londrina, PR. Desde 2007 o blog veio mostrando os abusos causados pela poluição visual na cidade, que acabou adotando também o projeto “Cidade Limpa” – um projeto bem mais modesto, inicialmente mal recebido por parte da população e pelas empresas de publicidade exterior, mas que hoje também colhe excelentes resultados e tem valorizado o visual da cidade de Londrina.

(Foto: notícias Cabana